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  • on Twitter - Os "Ghost Followers" que seguem a esquerda

        Em abril e outubro de 2018, mídias como Folha de SP, Estadão, Veja e Exame divulgaram uma série de matérias denunciando o uso de robôs para impulsionar as redes sociais de Jair Bolsonaro. O fato é que esse serviço de impulsionamento nunca foi contratado e, mesmo assim, o número de curtidas e compartilhamentos das publicações de Jair Bolsonaro em relação ao seu número de seguidores eram (e são) muito maiores do que muitos outros grandes perfis, na maioria de esquerda. Isso levou a mídia em geral a fazer grandes acusações baseadas em um estudo sem coeficiente probatório (como afirmou em nota o próprio Twitter).

        Uma pesquisa realizada por nossa equipe descobriu-se que muitos perfis de esquerda contam com uma grande proporção de seguidores fantasmas (chamados "Ghost Followers") em seus perfis do Twitter. Esses seguidores "fantasmas", apesar de agregar número nos perfis, não executam qualquer interação, assim o alcance das publicações ficam menores do que deveriam. Com essa descoberta é possível explicar o porquê de Jair Bolsonaro ter um alcance expressivamente maior em suas publicações, logo que a fração de perfis fake que o seguem é muito menor do que as dos perfis de esquerda e de mídias que foram analisados.

        As análises feitas por nossa equipe foram realizadas com o auxílio da ferramenta TwitterAudit, que é usada para identificar o número de perfis fake presentes no perfil pesquisado.

    Os perfis de esquerda e mídias analisadas foram:

    Políticos:
    Manuela D’ávila (PCdoB), Fernando Haddad (PT), Dilma Rousseff (PT), Jean Wyllys (PSOL), Marina Silva (REDE), Gleisi Lula Hoffmann (PT), Lindbergh Farias (PT) e Vanessa Grazziotin (PT);

    Partidos políticos:
    PT Brasil, PSOL 50, PC do B;

    Figuras públicas e jornalistas:
    Felipe Neto, José de Abreu, George Marques, Mônica Bergamo, Miriam Leitão.com, Guga Noblat, Blog do Noblat, Reinaldo Azevedo e Xico Sá.

    Mídias:
    Rede Globo, G1, Jornal O Globo, Estadão, Folha de SP, Carta Capital e Catraca Livre.

    Os perfis de direita, bem como mídias de direita analisados para fim de comparação foram:

    Políticos:
    Jair Bolsonaro (PSL), Eduardo Bolsonaro (PSL), Carlos Bolsonaro (PSL), Flávio Bolsonaro (PSL), Janaina Pachoal (PSL), Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL), Kim Kataguiri (DEM) e Fernando Holliday (DEM);

    Partidos Políticos:
    PSL;

    Figuras e jornalistas:
    Bernardo Küster, Nando Moura Italo Lorenzon, e Allan dos Santos;
    Mídias:
    Renova, Terça Livre e República de Curitiba.

        Os perfis foram consultados um a um, através da ferramenta TwitterAudit e os resultados mostram que grande parte dos perfis de esquerda, com exceção de Maria do Rosário e Lula, tem pelo menos 25% dos seus seguidores classificados como pefis fake, alguns perfis como o da Miriam Leitão, Blog do Noblat, Jornal O Globo, Carta Capital, Catraca Livre e G1, que ultrapassam 50%. Enquanto os perfis de direita tiveram a sua grande maioria, com exceção de Joice Hasselmann, tiveram proporções de perfis fake inferiores a 10%.

        As tabelas a seguir mostram os resultados das análises de todos os perfis. Já as capturas de tela de cada análise poderá ser consultada aqui.


    (Foto: Central de Imprensa Sátira)


    (Foto: Central de Imprensa Sátira)

        Ter uma pequena fração de perfis fantasmas como seguidores é aceitável, uma vez que diversos usuários criam uma ou mais contas fictícias na rede social, sendo alguns inclusive com ajuda de computadores. Porém, quando a proporção de perfis fantasmas é de grande relevância frente aos seguidores dos perfis analisados (caso da maioria dos perfis de esquerda analisados), essas contas podem ser colocadas sob suspeita.

        Uma das hipóteses levantadas para explicar essa grande quantidade de ghost followers pode ser a compra de pacotes de seguidores. Existem métodos "legais" e ilegais de compra de seguidores:

        Os ilegais consistem desde conectar uma rede de perfis fake criados por computador para seguir o usuário contratante, até a utilização de vírus que fariam perfis reais seguir o contratante sem que o usuário desse perfil perceba. Tratam-se de serviços clandestinos e podem ser encontrados em sites de venda como o "mercado livre" e até mesmo em anúncios em redes sociais. Há também a possibilidade de empresas que trabalham com métodos legais utilizarem desse outros métodos “por fora”.

        O método "legal" consiste em usar uma rede de usuários reais, que estão a serviço de um empresa, para seguir o contratante. Existem hoje em dia empresas especializadas nisso, como a DVAR, GoFollowers, Seguidoresgram e SMCurtidas.
        A maior suspeita é pelo uso do método da rede de perfis fantasmas, já que são perfis que não interagem, fazendo com que as publicações não tenham um alcance relevante o suficiente a ser compatível com o número de seguidores do perfil.


    (Foto: print de informação garantindo que o método é infalível)

    Mas qual é a vantagem de comprar seguidores fantasmas se eles não dão “like” nem “Retuítes”?
        Em matéria do New York Times publicada em janeiro de 2018 e intitulada “A fábrica de seguidores”, o fundador da empresa de engenharia de softwares MOZ, Rand Fishkin, revelou:“Você vê um alto número de seguidores, ou uma conta com muitos retuítes, e você assume que esta pessoa é importante, ou que um tuíte foi bem recebido. Como resultado, você tem mais chances de ter uma mensagem amplificada, de ser compartilhado ou de ser seguido.”
    Logo, é possível usar esses seguidores para dar a impressão de que o perfil em questão é importante, que está virando tendência, dessa forma seria possível alavancar os perfis aqui analisados.

    O que diz o API Twitter Audit
        Segundo o API, "cada auditoria leva uma amostra de até 5000 (ou mais, se o assinante for Pro) seguidores do Twitter para um usuário e calcula uma pontuação para cada seguidor. Essa pontuação é baseada no número de tweets, na data do último tweet e na proporção de seguidores para amigos. Usamos essas pontuações para determinar se determinado usuário é real ou falso. É claro que esse método de pontuação não é perfeito, mas é uma boa maneira de saber se alguém com muitos seguidores pode ter aumentado sua contagem de seguidores por meios inorgânicos, fraudulentos ou desonestos".
    O API diz ainda não pertencer ao Twitter.

    Nota de rodapé:
        A página deste artigo recebeu novo formato e o último trecho do artigo foi adicionado em 04 de Março de 2019. O artigo original sem alterações pode ser lido aqui.
        A Central de Imprensa Sátira se dá o direito de adequar seus textos quando bem convier, porém, em respeito aos leitores, sempre manterá o artigo original sem alterações para eventuais pesquisas. (Alex Diferolli)
    Os tweets aqui relacionados à TAG #VenezuelaGritaLibertad são a mais pura visão de maldade de aonde o ser humano consegue chegar por causa da ganância. Um povo sofre, um povo clama por ajuda.

    "Daqui em diante nem tudo é realidade"