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  • Gilmar Mendes e seus 62 (+1) favores (Parte 2).

        Lava-Jato no Rio de Janeiro, chega à área da saúde pública.

        A ação, que revelou um dos mais profundos e duradouros golpes no setor, levou à prisão os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita Cavalcanti Pessoa, dentre outros.
        Miguel Iskin é investigado na Lava Jato por supostamente controlar um cartel de fornecedores de material e equipamentos hospitalares para o estado. Segundo as investigações, o empresário escolhia as empresas que ganhariam as licitações e cobrava propina que chegava a 40% do valor dos contratos. Iskin foi preso duas vezes, e solto por Gilmar Mendes em 2017. Gustavo Estellita Cavalcante Pessoa e sócio de Iskin em outras empresas.

        Para melhor entendimento, leia a acusação da Procuradoria:
        "O Ministério Público Federal denunciou 24 pessoas investigadas na Operação Ressonância. Entre os acusados estão o ex-secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes, o empresário Miguel Skin, o diretor-geral do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), André Loyello, e o ex-CEO da Philips Medical Daurio Speranzini. Eles são acusados pelos crimes de organização criminosa, fraude a licitações, corrupção passiva e prevaricação.
        As fraudes a licitações, a cartelização e o pagamento de propina envolviam não só os contratos de aquisição de equipamentos médicos importados de alta complexidade, como também os contratos de aquisição de próteses e materiais especiais. As atividades de empresários e funcionários públicos envolvidos nessa grande teia criminosa eram coordenadas por Miguel Iskin e Sérgio Côrtes, responsáveis por angariar grandes fabricantes mundialmente reconhecidas e obter liberação orçamentária para as contratações em valores estratosféricos, as quais, segundo dados do TCU atingiram mais R$ 1,5 bilhão apenas no âmbito das contratações do Into, no período de 2006 a 2017”, explicam na denúncia os procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro
    ".

        Link com a íntegra da acusação: "Prisao-Ressonancia-FINAL_Redigido.pdf"

        Deflagrada em Julho de 2017, num desdobramento da Lava Jato chamado de Operação Ressonância, o então Gilmar Mendes, famoso por “distribuir HABEAS CORPUS” mandou soltar 3 presos num espaço de 24 horas.

        (Foto: Reprodução)

        Os beneficiados
        Daurio Speranzini Junior, principal executivo da GE para a América Latina, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita.

        Ao decidir sobre os casos de Iskin e Estellita, o ministro do Supremo afirmou que a prisão decretada pelo juiz Marcelo Bretas não indica elementos que confirmem que os crimes continuam a ser praticados pelos suspeitos.
        Gilmar Mendes continua agindo como verdadeiro soldado de seus cadetes do crime, desprezando a lei e desrespeitando a cadeira que ocupa.
        Vale relembrar que Gilmar Mendes votou no processo de anulação da delação premiada dos proprietários do Grupo J&F a despeito de a JBS haver patrocinado com R$ 2,1 milhões eventos do IDP, Instituto de Direito Público, empresa da qual o Ministro é sócio. Algo no mínimo vergonhoso e imoral.

        A imensa lista de presos já soltos pelo ministro é de causar indignação e revolta. Listamos mais alguns:
        Marcelo Traça Gonçalves, Octacílio de Almeida Monteiro, Cláudio Sá Rodrigues de Freitas e Eneas da Silva Bruno estão também entre os beneficiados. Os quatro foram presos na Operação Ponto Final, que investiga o pagamento de propina por parte de empresários de ônibus a políticos. De acordo com as investigações, foram rastreados R$ 260 milhões em propina pagos pelos investigados a políticos do estado.

        O empresário Milton Lyra, apontado como operador do MDB, tambem foi premiado com o Habeas Corpus, ele havia sido preso na Operação Rizoma, que mira fraudes em fundos de pensão.
        Em artigo publicado na VEJA intitulado Impeachment para Gilmar, o autor compara os atos de Gilmar Mendes ao seriado House of Cards.

        Vamos agora apresentar uma pequena lista dos motivos pelos quais Gilmar Mendes deve perder suas funções.

        1) Gilmar por três vezes livrou do cárcere Jacob Barata Filho, milionário do setor de transportes do Rio de Janeiro, cuja filha casou com o sobrinho de Guiomar Mendes, mulher do Ministro. Mais: Francisco Feitosa, irmão de Guiomar, é sócio de Barata.

        2) Gilmar mandou soltar o ex-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio Lélis Marcos Teixeira, como Barata, cliente do escritório de advocacia integrado pela esposa do Ministro.

        3) Gilmar determinou a soltura do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso José Riva, conhecido como o “rei da ficha suja no Brasil”, que foi defendido por Rodrigo Mudrovitsch, não só professor do IDP, mas também advogado do Ministro em outra causa.

        (Foto: Reprodução)

        4) Gilmar, desprezando o fato de que sua atual mulher trabalha no escritório que defendia os interesses do notório Eike Batista, mandou libertá-lo da prisão.

        5) Gilmar, agindo como fiel escudeiro do PSDB, a despeito de ser o relator de 4 entre 9 inquéritos contra Aécio Neves, aceitou o pedido deste para convencero Senador Flexa Ribeiro a seguir determinada orientação no tocante a projeto de lei de abuso de autoridade.

        6) Gilmar votou contra a prisão do secretário da Casa Civil e da Fazenda desse mesmo ex-governador. Éder de Moraes Dias, segundo a Polícia Federal, foi o principal operador do esquema de corrupção descoberto na Ararath.

        7) Gilmar telefonou espontaneamente para Silval Barbosa, ex-governador do Mato Grosso, horas antes preso em flagrante na Operação Ararath, hipotecando-lhe solidariedade e prometendo interceder a seu favor junto ao Ministro Toffoli, que relatava o inquérito. Silval é, nas palavras do Ministro Fux, o protagonista de uma delação monstruosa.

        8) Gilmar teve inúmeros encontros privados com Michel Temer, fora da agenda oficial, alegando velha amizade e, ainda assim, com voto de minerva no TSE, absolveu a chapa Dilma-Temer de abuso de poder político e econômico na última campanha, de maneira a preservar o mandato do amigo. Nesse processo, a ex-mulher de Gilmar, Samantha Ribeiro Meyer-Pflug, emitiu parecer favorável a Temer, que depois viria a nomeá-la conselheira da Itaipu Binacional, sem contar que o Presidente ainda tornou um primo de Gilmar, Francisval Dias Mendes, diretor da Agência Nacional de Transporte Aquaviário.

        Nos episódios expostos acima, Gilmar julgou e, pior, beneficiou quem não poderia julgar, quando era ao menos manifestamente suspeito
        Gilmar, sem qualquer pejo, exerceu atividade político-partidária, procedendo de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções.

    Nota de rodapé:
         Atualização da matéria às 23h56

        A Central de Imprensa Sátira se dá o direito de adequar seus textos quando bem convier, porém, em respeito aos leitores, sempre manterá o artigo original sem alterações para eventuais pesquisas. (Alex Diferolli)
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