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  • A eleição à Presidência do Senado, a voz das ruas, a velha política e a Renovação!

    Coluna PONTO DE VISTA

        Maia foi eleito com uma excepcional vantagem entre os outros, e teremos aí, mais dois anos de olhos bem abertos com o “Bolinha” a frente da Câmara, esperando que ele entenda que o povo está mesmo ligado em tudo. Senado Federal – O que foi aquilo, meu Deus???
        Senadores empossados, a mesa possuía alguns integrantes interinos para seguir os trabalhos de votação, quando surge um suplente à Presidência interina, Senador Davi Alcolumbre, do pequeno Estado do Amapá... de alguma maneira, habilidoso, sentou-se então na cadeira da Presidência para conduzir o rito. Surpreendentemente, levando em frente uma pauta que seria polêmica, conduziu a votação em plenário para senadores decidirem se a Votação seria Aberta (desejo da sociedade) ou Fechada (vontade da velha política), e o resultado dessas eleições, definiram que o voto seria aberto (por 50 votos a 2), causando a fúria da bancada que apoiava o Senador Renan Calheiros a recondução da Presidência.

        Renan, que durante a semana minimizava seu interesse ao cargo, partiu para cima do Senador do PSDB, Tasso Jereissati, acusando-o de ter culpa naquela situação, pois influenciava Davi e os outros a praticar a votação aberta, por se tratar de uma vontade da sociedade, que não aceitaria mais as velhas práticas de conchavos e favorecimentos naquela Casa. Tasso respondeu que Renan era ladrão e que seu lugar era na cadeia, e Renan foi interceptado por seus pares, pois a coisa já beirava a agressão física.
        Desse momento em diante a reunião preparatória para a votação à Presidência do Senado, virou um campo de guerra, com pedidos de pronunciamentos e já se notava claramente, que Renan, o despretensioso, lutava com unhas e dentes por aquela cadeira.

        Nesse momento, a Senadora pelo estado de Tocantins, Kátia Abreu, que na defesa de Renan, arguia que o Senador Davi não poderia conduzir a votação, pois também era candidato à vaga, e isto realmente, não estaria de acordo com o Regimento. O mesmo, com muita frieza, tentava argumentar que ainda não tinha seu nome inscrito, o que o permitiria continuar conduzindo os trabalhos, e a Senadora, tomada de toda a sua insanidade, já demonstrada em outras ocasiões, subiu até a Mesa Diretora, dizendo que assim sendo, ela também poderia ser Presidente interina, e num momento de total falta de noção, tomou para si a pasta com os documentos que davam continuidade àquela reunião, como Questões de Ordem, e sequencia de inscrições dos candidatos. Lamentavelmente, o Brasil assistia a tudo aquilo, sem poder nada fazer, o mundo assistia aquilo, e novamente, estava nosso país mostrando a sua total vulnerabilidade política diante de todos.

        A Senadora Kátia não devolveu a pasta e aos gritos exigia que o Senador mais velho, Senador José Maranhão, fosse conduzido à Presidência interina da reunião preparatória, mas Davi, tomado do sentimento de que estavam armando ali uma tentativa de invalidar a eleição que acabara de acontecer, se negava a deixar a Mesa, argumentando sempre, mas ouvindo seus pares, que se revezavam na Tribuna, cada qual deixando ali inúmeros comentários sobre os dispositivos do Regimento. Após longa e vergonhosa discussão, onde o Senador Renan, já descontrolado, gritava o nome de Kátia para continuar com a parafernália, surgiu uma proposta de acordo, vinda do Senador Cid Nogueira, onde ficaria estabelecido, que a Reunião estaria suspensa até o dia seguinte (sábado, 02/02/2019), a votação pela escolha de voto aberto seria mantida, por unanimidade do plenário, e o Senador José Maranhão assumiria a Presidência, caso o Senador Davi Alcolumbre confirmasse sua candidatura, do contrário, ele seguiria conduzindo o rito, e assim se fez...sábado, a partir das 11:00hs da manhã, se reuniriam novamente para continuarem os trabalhos.

        Sábado, dia 02/02/2019 - Logo pela manhã, a manchete estampava os principais jornais e as redes sociais: O Ministro Dias Toffoli, acatando uma reclamação de dois partidos ligados a Renan, determinava a nulidade da votação ocorrida em plenário e determinava que o voto seria fechado, levando os Senadores a ficarem indignados com tamanha intromissão numa decisão desse porte.
        Os Senadores não conseguiam adentrar ao Plenário, pois o Senador Davi se reunia com José Maranhão e outros para definir como seria daqui por diante, e sem acordo possível, tiveram que acatar a ordem vinda do Judiciário. Deu-se início novamente aos trabalhos, com inúmeros pedidos de concessão da palavra, exigindo do Senador Maranhão, que o voto fosse em cédula, e que aquele que tivesse interesse em declarar publicamente seu voto e até mostrar o mesmo, teriam assegurado esse direito...sem outra alternativa, o novo Presidente interino assim o fez e levou aos discurso dos candidatos inscritos (nesse momento, Alcolumbre já havia inscrito sua candidatura).

        Surge uma nova personagem: a Senadora pelo Estado do Mato Grosso do Sul, Simone Tebet.
        A mesma pede a palavra e se declara candidata avulsa à Presidência do Senado, deixando Renan Calheiros de olhos arregalados, pois a mesma havia perdido em eleição junto a sua bancada, a preferência a candidatura para Renan.
        Começam os discursos dos candidatos, e na ordem, Álvaro Dias é chamado a discursar e cede sua vez à Senadora Tebet. A mesma fez um discurso inflamado, mostrando que estava ali em oposição a Calheiros, e como muitos de seus pares, dizia que a sociedade não aceitava mais Renan na Presidência daquela Casa, sendo muito aplaudida por todos, e deixando a dúvida da sua candidatura no ar.

        Em seguida, o Senador Álvaro Dias sobe a tribuna com um bom discurso, e desiste de sua candidatura em favor de Alcolumbre, o mesmo acontecendo com o Major Olímpio. A essa altura, Alcolumbre desponta para uma possibilidade enorme de vitória sobre Renan, e em seu discurso, pede apoio também de Simone Tebet, que desiste da candidatura e o apoia abertamente, como os demais.
        Começam as votações: os Senadores se dirigem a uma cabine atrás da Mesa Diretora e escolhem seu candidato, seguindo para a urna – alguns declaram seus votos e até o mostram, outros se reservam o direito do sigilo. Terminada essa etapa, iniciam o processo de contagem e ali se caracteriza mais uma vergonhosa cena para a história política do país: é constatada uma FRAUDE, com o surgimento de um voto a mais na urna e outro apenas fora do envelope, dando início a novas discussões sobre o ocorrido...

        Depois de muita discordância, e até uma ala tentando impor o voto eletrônico, decidem anular aqueles votos, que passam a ser triturados na frente de todos, e passam a uma nova votação, dessa vez, muito mais inflamada, logo no início, pois os parlamentares sentindo a desconfiança sobre uma nova fraude, resolvem abrir claramente seus votos, e o Senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, o faz com todas as letras e mostra seu voto de apoio a Alcolumbre. Os demais o seguem.

        E então, a vitória de Alcolumbre passa a ser evidente com as demonstrações de todos, sempre comentando que essa é a vontade da sociedade e que é preciso ouvir os desejos dos eleitores, Renan Calheiros, tomado pela cólera, não hesita em subir à Tribuna, e obriga o Senador José Maranhão a lhe conceder a palavra, mesmo em meio à votação, e se diz indignado com os Senadores abrindo ali seus votos, levando-o a única atitude digna naquele momento: a Renúncia à sua Candidatura! (essa atitude foi comemorada pela maioria do Plenário, deixando Renan em situação muito mais desconfortável ainda).

        Renan deixa o plenário, seguido pelos Senadores Jáder Barbalho, Eduardo Braga e Maria do Carmo, e a votação continua...sendo que na apuração, somente esses quatro votos não constavam das urnas. Vitória esmagadora de Davi Alcolumbre, por 42 votos, fazendo a todos vibrarem em plenário com os novos rumos e as novas possibilidade de um Congresso sem mais as amarras de Renan, que sempre fez o que quis naquela Casa, inclusive, informando que criaria uma Nova Secretaria, comandada por um ex Ministro do STF, com clara evidência de que faria não apenas oposição ao governo, mas também, criaria um estado de ingovernabilidade ao Presidente Jair Bolsonaro.

        Considerações Finais: Um novo e esperado momento dentro do nosso Congresso se anuncia, temos agora como Presidente, um jovem de 41 anos, Davi Alcolumbre, desconhecido, sim, mas apoiado nesses últimos momentos, por ser a única e corajosa alternativa a enfrentar o gigante Renan Calheiros, que não apenas saiu derrotado, mas também, saiu com a certeza de que as coisas não serão mais tão fáceis para ele daqui por diante, e mesmo que não possamos subestimar a capacidade de articulações dessa velha raposa, o que fica muito evidente, é que a população acordou, e deixou de lado seus momentos de lazer em um final de semana, para grudar os olhos na TV Senado, atentos aos rumos que nosso país está tomando e ávidos por um Congresso mais alinhado aos anseios de todos!!
        É a Nova Era, tomando corpo de verdade! Deus dê a Davi Alcolumbre, a integridade e serenidade necessárias para conduzir com êxito esse papel que acabou de lhe ser atribuído, lembrando sempre que não são apenas palavras, os eleitores estarão sempre observando e cobrando por todos os seus atos!!

    Eu sou Sandra Lima, e assino essa matéria.

    "Daqui em diante nem tudo é realidade"